Agro é sustentável, mas não comunica

Convencer consumidor de que o setor acata regras ambientais na produção é difícil

Muito além dos gargalos logísticos ou da oscilação de preços de commodities agrícolas ou da guerra comercial entre Estados Unidos e China, um dos principais obstáculos enfrentados pelo agronegócio brasileiro atualmente é a dificuldade de se comunicar e de mostrar ao mundo que é sustentável. Essa limitação foi citada pelos debatedores do painel “Além de Pop, Tech e Sustentável”, durante o Summit Agronegócio Brasil 2019, promovido pelo Estado e patrocinado pela Corteva e Embratel.

Para a diretora comercial da consultoria Labhoro, Andrea Cordeiro, o setor tem, de fato, “dificuldade de comunicação”. “Temos um agro extremamente eficiente, focado em práticas de melhoria e tecnologia, mas há dificuldade de mostrar lá fora a sustentabilidade do nosso País”, disse. “O Brasil, internamente também, precisa despertar a consciência do valor do agro e mostrar o quanto estamos comprometidos com a sustentabilidade”, ressaltou ela, reconhecendo, porém, que não se trata de “tarefa muito fácil”.

Mediador Gustavo Porto (à esq.), Rodrigo Spuri, Eduardo Leduc, Arnelo Nedel e Andrea Cordeiro reconhecem dificuldade de mudar imagem do setor Foto: Nilton Fukuda/ Estadão

Passividade

A imagem negativa que o Brasil tem lá fora, para Andrea, também tem uma parcela de culpa do próprio setor agropecuário, que “foi muito passivo”. “Precisamos sair dessa inércia e fazer nossa parte, mostrar que o agronegócio brasileiro é pró-Brasil.”

O presidente da Associação Brasileira das Empresas de Controle Biológico (ABCBio), Arnelo Nedel, concordou com a consultora, acrescentando que a agricultura brasileira “nunca soube propagandear o que ela faz”. “Para nós, do setor de biológicos, é mais fácil a comunicação, porque estamos em evidência, mas também precisamos comunicar o alto nível de eficiência e tecnologia envolvido num defensivo biológico.” Para melhorar a comunicação do agronegócio com o consumidor final, o representante da ABCBio sugere que o consumidor visite as fazendas para conhecer o produtor rural. “Se não formos eficientes em comunicar o que fazemos, alguém vai fazer o dever de casa por nós.”

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